Bruno Mendonça [Recife, 1979] é escritor e Doutor em Línguas Modernas: culturas, literatura e tradução, pela Universidade de Coimbra. Autor das coletâneas de contos Trôpegos visionários [Kazuá, 2016] e O cárcere de Newton [Aquarela Brasileira, 2018], bem como dos romances Liberdade [Kazuá, 2017] e A tinta e o tempo [Urutau, 2024]. Tem textos publicados em meios literários diversos, como: Revista Gueto; Marina Tambalo: crítica e literatura; Revista Philos; Plástico Bolha; Revista Lavoura; A mão de Safo; Revista Desenredos; Jornal O Relevo; Revista Enfermaria 6 e Revista Subversa. Foi um dos vencedores do Prêmio SFX de Literatura, edição 2016; 3º colocado no Prêmio José Cândido de Carvalho, edição 2016; vencedor do Prêmio da XXII Semana de Letras da Universidade Federal do Paraná [UFPR]; e 4º lugar no Concurso de contos Anna Maria Martins, edição 2021, promovido pela União Brasileira de Escritores – UBE. Em 2024 publicou a obra O absurdo na narrativa curta pelo selo acadêmico da Editora Nauta.
O que se disse sobre o ilvro:
Em Matem as Feras, Bruno Mendonça apresenta, por meio de uma narrativa envolvente e engenhosamente fragmentada, as linhas que unem (e separam) homem e natureza – e que separam os homens entre si.
Uma cabana nas montanhas de um vilarejo isolado, cercado por paisagens geladas e tão tranquilizadoras quanto ameaçadoras. O enredo é dividido em quatro partes: O Sonho, Aprendizado, Selvagem e Matem as Feras. O frio e o silêncio nessa atmosfera rarefeita dialogam com histórias que se encontram num espaço desconhecido, e que vão, aos poucos, emergindo para o leitor.
Klaus, ao se distanciar da “civilização”, descobre numa vida selvagem mais do que poderia imaginar sobre a natureza em si, e sobre sua própria natureza. O romance definitivamente não se contenta com os limites de uma narrativa convencional, a forma se une ao conteúdo para nos mostrar que a linha entre lucidez e delírio é tênue, assim como a linha entre civilização e barbárie, e entre homens e feras.
Os personagens oscilam entre figuras grotescas, enigmáticas, sábias, intrigantes e desconcertantes. O relato instiga e desafia o tempo todo. Há um flerte entre o fantástico e o sobrenatural, entre a ficção introspectiva e o ensaio existencial.
O isolamento inicial de Klaus, sobre quem nada sabemos (seria tudo fruto da visão de um narrador mentalmente desequilibrado?) é perturbado por uma tempestade de neve que prenuncia o percurso que o protagonista irá enfrentar.
As referências a Dostoiévski e Nietzsche sugerem interpretações que alcançam camadas extras de sentido. Os eventos são tão importantes quanto aquilo que representam, tão importantes quanto aquilo que guardamos deles.
Afinal de contas, o que somos sem memória, sem passado?
Onde está a linha que separa a racionalidade da loucura? Até onde a razão pode se proteger antes de sucumbir ao caos? Quem (ou o quê) são mesmo as “feras” nesse romance, mas também no mundo em que vivemos? Essas perguntas são conduzidas por uma escrita que oferece poesia, filosofia e uma bela narrativa.
Matem as Feras é uma genuína e recompensadora experiência literária.
Munike Martins Bonet
Professora, doutoranda em Estudos de Literatura, UERJ