Eduardo Lana é gaúcho, e nasceu em 1985. Tem graduação e mestrado em História. Atualmente é professor do Ensino Médio em Santa Maria (RS). É autor dos livros de história A formação da Argentina e A consolidação da Argentina (Méritos Editora, 2024). Admirador da literatura, considera que ela, assim como a História, oferece meios para os leitores chegarem à sua autocompreensão.
Sobre o livro:
A História nos faz mergulhar no porquê das coisas. No entanto, no transcurso da vida existem razões e sentimentos que vão além do que ela explica, e aqui entra a ficção. Segundo os sábios antigos, os homens se debatem entre as linhas do signo de Aquário, que são precisamente irreconciliáveis, e, a partir dessa prerrogativa mística, procuravam justificar as coisas. Nos cinco contos reunidos nesse livro, personagens foram representados se debatendo entre dificuldades, agruras, afetos e mistérios. O objetivo de cada um? A liberdade, que apresenta formas e traços distintivos, independente das épocas e lugares.
O que se disse sobre a obra:
Sob um céu aquariano o traçado histórico é visto por olhos de liberdade e recontado com imaginação, talvez a única janela para as minuciosidades dos pensamentos e particularidades dos personagens do passado.
A fusão de acontecimentos históricos e ficção nos prende à sua humanidade, aos seus sotaques, modos e anseios, que também são nossos.
Eduardo Lana escreve como é, apaixonado por História e pelo que o outro sente. Observador dos acontecimentos e do que eles produzem para além do que foram, refletindo sobre a natureza humana e seus ciclos repetitivos, mesmo que tenham ocorrido há anos-luz.
Karoline Nogueira
Prosa de cunho histórico, cuja ênfase recai com mais força nas influências dos fatos vividos por figuras púbicas ou indivíduos no geral, mesmo que sem uma nomeação própria. O deslocamento trabalhado nesse tipo de texto é diverso, não sendo unilateral, monolítico. São variados recursos que podem ser utilizados na criação literária, estabelecendo o diálogo entre o verossímil (memória, ocorrência datada) e a imaginação (escrita criativa). Nesse caso o escritor gaúcho Eduardo Lana transforma a localidade de seu estado em matéria-prima rica, como se o intuito fosse preencher as lacunas de um tempo situado na história de um povo, suas agruras e desejo de liberdade, esta última sendo a marca principal dos cinco contos reunidos na obra.
O conto que dá título ao livro pode ser entendido como aquele que movimenta os demais. Inicia-se com o personagem Marco Ludovizzi, no século XIV, no contexto das terras da Hungria e do reinado de Luís, o Grande. Sob a égide cos conflitos escravagistas e das disputas entre muçulmanos e cristãos, a realidade do cotidiano se mostra o fator de destaque, com a presença da angústia, emoção latente na maior parte das narrativas aqui encontradas. O narrador, por exemplo, se percebe mais aflito pelas conjunturas da época após presenciar uma mãe com sua filha, que se transformará em sua propriedade, revelando os jogos de interesse e o campo de poder da Igreja. O relacionamento entre Marco e a jovem será tratado com o objetivo de mostrar a afetação e sua interferência entre aquele que manda e aquela que obedece. O sentimento de liberdade, incômodo com os “destinos” escolhidos por grandes figuras históricas, tenta mostrar como as decisões ainda são cruciais no entendimento dos indivíduos.
É uma categoria difícil de trabalhar, uma vez que o processo criativo terá de lançar mão de variados questionamentos, sendo um deles: até que ponto o narrador está apenas descrevendo os fatos? Como posso transformar os elementos de tempo e espaço no desenvolvimento psicológico dos personagens? Qual é o foco narrativo? O que desejo passar ao leitor? São perguntas cruciais para não cair na literalidade, perdendo para a falta de fabulação. Nesse sentido, Sob o signo de Aquário se lança como um convite àqueles interessados nesse tipo de escrita, como também no rompimento do senso comum da disciplina de História, com narrativas que não deixam ninguém indiferente a seus personagens.
Lorraine Ramos Assis, Le Monde Diplomatique Brasil, 26/5/2026