Ficha técnica:
Título: Onde habita um pouco de possível
Autora: Luciana Lima Silva
Gênero: Contos
Capa: Marcelo Nunes
Ano de publicação: 2024
Edição: 1ª
Dimensões: 14 x 21 cm
Acabamento: brochura
Número de páginas: 108
ISBN: 978-65-83074-04-1

Sobre a autora:
Luciana Lima Silva é paulistana, doutora em Teoria e História Literária pela Unicamp. Atua como professora e é autora dos livros Alguém de vassoura na mão ainda lembra como foi (Patuá, 2022), Sobressaltos de um homenzinho assustado & outros delírios fálicos do século 21 (Edições Cabíria, 2022) e Paisagens dóceis para bactérias festivas (Patuá, 2021). Organizou as antologias Anônimo não é nome de mulher (Patuá, 2022) e, em parceria com Patrícia Dias, Diários afluentes: 7 dias, 14 mulheres (RuídoRosa, 2023), além de ter textos publicados em diversas coletâneas.
Sobre a obra:
Onde habita o possível? Em meio a um cotidiano maçante, caótico ou trágico, em que as personagens precisam lidar com a iminência do suicídio da amiga, a perda da memória ou mesmo uma simples lista mental das compras a fazer, resta a busca do que sobrou de possível a ser vivido. É nesse espaço que se passam os excelentes contos do novo livro de Luciana Lima Silva.
Nele, as narrativas são costuradas por esse fio de vida, cujas intensidade e dimensão variam, assim como o cenário. Os acontecimentos se desdobram em situações das mais diversas, do cotidiano infantil à luta pela vida em meio à selva, do enfrentamento-limite entre mãe e filho à descrição da vida num estado de coma. Nessas narrativas, os personagens ora se deparam com a redução do futuro, ora com uma lufada de ar, após terem trombado num obstáculo aparentemente intransponível. Em certas passagens, cenas banais vibram, como nas lembranças infantis do conto “Mara”: “Dançávamos as músicas que tocavam no rádio, fazíamos ginástica para ficar maravilhosas e escrevíamos cartas de amor que nunca enviávamos a ninguém”. Em outras, o drama de uma mulher apaixonada se torna humor: “Uma idiotice cafona, eu sei. Como quando achei que eu estivesse com depressão profunda, mas descobri que eram apenas vermes”.
Luciana se revela ágil, potente e versátil nas narrativas aqui reunidas. Explorando o possível, ela não deixa de acenar com o improvável, como ao descrever o movimento da pipa a voar “em céus impossíveis, para além dos prédios e fiações e carros e caminhões e motos e gatos e cachorros e pombas e ipês e asfaltos”.
- Daniela Birman, professora de Teoria e História Literária da Unicamp
Como se deparar com situações devastadoras sem desmaiar, sem perder o fio da vida?
Sei que Onde habita um pouco de possível, da minha querida Luciana Lima, vai além do que trago aqui e minha impressão ainda é incompleta porque tenho tanto mais a dizer.
O que posso adiantar é que a escrita da Lu é banhada de uma originalidade sedutora que nos pega. E essa é uma marca dela!
Acontece que você não vai ler apenas um livro de contos, você vai entrar numa casa/ rua/ portal lotados de personagens imersos em suas angústias pouco confessadas.
E o trabalho mais bonito de um livro não seria esse? O de trazer à tona o inconfessável, aquilo que passou como um flash na cabeça do leitor e ele disse a si mesmo: para de ser louco e não inventa.
Mas aí, vem uma escritora sem medo e escreve o que calamos, disfarçamos.
Sim, neste ponto podemos dizer que escrever é um ato corajoso.
Onde habita um pouco de possível se aproxima de um estudo sobre a exímia arte do narrador em levar uma câmera escondida e megafones para nos mostrar personagens desmoronando por dentro para depois, de repente, ficarem bem.
Em algumas cenas, iríamos nos retirar para que aqueles sujeitos se resolvessem, mas a gente fica e lê tudo.
E o que é possível para um livro?
Construir personagens carregando a vida em seus corpos e de todos os sustos covardes que a vida dá - sim - tudo isso e muito mais cabe neste livro. Quase um entre guerras, uma pausa para observar o caos bem ao fluxo da consciência sem pedir licença.
Simplesmente, Luciana constrói os personagens fora do que poderíamos propor e não nos dá tempo para barrá-los.
Eles estão vivos dentro da narrativa e não dependem de nós.
Onde habita um pouco de possível é um convite a cantarmos o presente possível onde todo mundo, de alguma forma, está se curando do que nem sabe bem o quê.
Este meu texto singelo é um convite à leitura do livro Onde habita um pouco de possível, escrito pela minha querida Luciana Lima e lançado pela editora Nauta em 2024.
- Mô Amorim