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cód.: 2023371574

A mulher que me sonha à noite

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Ficha técnica:

Título: A mulher que me sonha à noite
Autora: Marina Della Valle
Gênero: Poesia
Capa: Marcelo Nunes
Ano de publicação: 2023
Edição: 1ª
Dimensões: 14 x 21 cm
Acabamento: brochura
Número de páginas: 104
ISBN: 978-65-980613-8-8

 

Sobre a autora:

Marina Della Valle nasceu em Santa Adélia (SP) em 18 de novembro de 1976. É jornalista pela Cásper Líbero e doutora em Estudos Linguísticos e Literários em inglês pela USP. Vive em São Paulo e trabalha como tradutora e jornalista. Já escreveu para veículos como os jornais Valor e Folha de S.Paulo e a revista Quatro Cinco Um.

 

O que se escreveu sobre o livro:

“Cova profunda é a boca das mulheres estranhas”, dizia a catequista do grupo de jovens da igreja, “aquele contra quem o Senhor se irar cairá nelas”, lia e repetia o provérbio, os lábios de moça crispando-se na tentativa de disfarçar a língua ligeiramente presa, a pronúncia lavrada pela miragem da velha, à figuração de uma costureira que sustém no beijo teso um alfinete – como um ferrão.

Não sei em que lugar de mim estava escondida essa lembrança; sei que o encontro com este A mulher que me sonha à noite, de Marina Della Valle, avivou-a de súbito, chamando-a desde aquelas regiões chiaroscuras mais difíceis para a palavra, lá onde só uma poesia profundamente viva poderia entrar.

E tudo neste livro é vivo, e interpela. E conjura. Aqui, a voz é um véu “esparso ao vento”, e num fio de Moira nos conduz através de cenas de perturbadora beleza, em que memória e delírio seduzem-se mutuamente e se interpenetram, numa espécie de erótica de harpias, afeiçoada a abismos.

Com seu canto aliciante – de Circe, de Cassandra, de mulher dupla, espelhada em sono e vigília – , Marina nos entrega uma poesia de tonalidade única, a um só tempo pessoal e universal, comprometida com a elucubração e a apresentação de imagens nas quais encontramos refletidas nossas próprias angústias e amores. Também nós passamos dias vivendo só “por um fiapo de esperança, mais fino que teia de aranha”. Também nós – mulheres muitas – encaramos os escombros do próprio corpo abandonado no ralo depois do banho, “fios longos, escuros […], (halo negro, guirlanda de viúva)”. Pelos olhos da poeta, somos nós que tantas vezes nos estranhamos diante da penteadeira, que perguntamos de repente, “Quem é essa velha no espelho? […]. Que lenda pariu esses olhos mortos?”.

A mulher que sonha Marina também nos sonha a nós, seus leitores e leitoras. E nos adverte que há uma sombra à espreita na hora dourada, quando “somos todos de ouro e tudo resplandece”, e nos convida a ouvir da poesia o eco de um rumor terrífico, que trabalha o dizível numa fresta antes da língua. Num uivo.

Mar Becker

 

Capa:

“Mulher em três estágios”, litografia de Edvard Munch (c. 1894)
Rijksmuseum, Amsterdã

 

 

 

 

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